InFocus: Miguel Rita

segunda-feira, março 19, 2007

Técnica: Dupla Exposição

Bem Vindos!!

A Dupla exposição é uma técnica simples onde se pode obter resultados favoráveis em várias situações onde o constraste luminoso é muito acentuado:


1'30 secs / F18 / 10mm / iso 100 / Canon 300D

Na imagem representada acima, podemos observar que as cores do céu estão extremamente interessantes, mas não é possível observar mais detalhes, pois a velocidade de exposição não
permitiu obter mais luminosidade.

O que é necessário para esta técnica ?


- Tripé (obrigatório)
- Na máquina: modo TV / Modo Manual

Como medir a cena ?


Quando temos uma cena com zonas de luminosidade muito variável, é difícil obter uma equalização homogénea do local, este exemplo mostra como uma leitura do local é efectuada:

Image Hosted by ImageShack.us

Podemos ter uma idea de como não é fácil obter as zonas todas perfeitamente expostas,
por isso, em registos desse género, opto por utilizar a técnica de dupla exposição.

Em que consiste esta técnica ?

Este processo consiste em tirar 2 registos com velocidades diferentes, de modo a poder abranger toda a luminosidade existente na cena, vou agora utilizar seguinte exemplo, um do tipo de registos mais dificil é precisamente ter uma boa iluminação quando se tem situações de difícil medição (ex: estar de frente para o sol)

No terreno:

Em modo manual, deixei ficar a abertura para F11 de modo a garantir uma boa profundidade.
Limito-me a medir as várias partes da cena, utilizando os 9 pontos de medição que a Canon 30D possui. Sem mexer o tripé, os pontos vermelhos assinalam o sitio exacto da medição.

É necessário que o sistema de medição dê o ponto seleccionado com o resultado de 0/ev, ou seja, uma boa exposição, nem muito brilhante, nem muito forte. Mesmo no "ponto" :)
Mede-se a exposição para o topo, e no fim, a exposição para a parte inferior, também correcta.

Fiquei com velocidades diferentes: 1/250 para o topo e 1/25 para o inferior.




Em Pós-Produção:

Depois de termos "revelado" as fotos, vamos unir as duas fotos no nosso programa de edição preferido, é necessário aqui, trabalhar com layers.


Depois de as duas layers estarem sobrepostas correctamente, vamos aplicar à layer
de cima, um desvanecimento na vertical do seguinte modo:


( escondi a layer de baixo, para se visualizar melhor o efeito de desvanecimento )


Recomendo fazer este processo com a layer de baixo visível, assim temos uma noção como está a ficar em tempo real.


E Voilá! Não existe muita ciência neste tipo de abordagem, aquilo que é importante é fazer correctamente as medições no local, de modo a termos duas cenas com luminosidades diferentes, para podermos uni-las na edição.

A vantagem de ter estes registos com variações drásticas de luz, é a possibilidade de transferi-las para um software de HDR, que processa as fotos e gere os vários níveis de luz, por isso são chamados "High Dinamic Range" pelo facto da sua amplitude de luz ser grande..

Considero este processo bastante simples de fazer e funciona muito bem para paisagens.
De momento está ser muito utilizado o processo de HDR também para situações de alto contraste, mas não considero que seja solução para todos os casos.

Fica para uma próxima vez, a implementação de HDR.

9 comentários:

tiago disse...

Boas! devo dizer que sou um grande apreciador do teu trabalho...tens fotos realmente magnificas e o teu trabalho pós-processamento é bastante bom, os meus parabéns. Apesar de te ter como autor favorito no Olhares.com e no Flickr, nunca comentei uma foto tua simplesmente porque nem sei o que dizer... quanto à tecnica que usaste neste tutorial, é uma mais valia, eu proprio já a usei, apesar de ter tirado as fotos sem tripé...deixo-te aqui uma palavra de apreço e incentivo para continuares com as tuas magnificas fotos e acima de tudo, com o teu blog, porque ajuda pessoas como eu que começam agora a dar os primeiros passos na fotografia.. parabéns mais uma vez ;)

Já agora, se nao te importares, dá uma vista de olhos nesta foto em que usei a tecnica de dupla exposição.
http://www.flickr.com/photos/tiago_silva/379928819/

abraço

Marisa disse...

Por acaso esta técnica dá muito jeito. Quando fotografo paisagens é que me esqueço sempre de tirar uma foto mais escura e outra mais clara :/ (TPC: colar "post-it" na máquina para não esquecer das duas fotos)

Rui disse...

Vi a tua galeria no Olhares e segui o link para o Blog. Estou a iniciar-me na fotografia e a informação que disponibilizas é mais que valiosa para mim. Para além de indicares que utilizaste o processo no Olhares, ainda fazes a sua explicação por aqui. O meu muito obrigado.

cidadao vagamundo disse...

Então e mais posts? :(

Anderson disse...

É sempre bom ver dicas de fotografos experentes como vc, seus tutorias me ajudou bastante e com certeza as novas geracões também, queria ver mais de suas postagens e dicas, suas fotos são maravilhosas, continue sempre assim. Um abraço, Anderson

L DuLac disse...

Vim aqui parar por ler um comentario teu no Olhares a uma foto de uma modelo (que estava visívelmente com àreas queimadas e com um tratamento inestético) mas que todos achavam excelente.
Não tenho nenhum prazer em ver críticas de bota-abaixo mas se há algo que me desagrada no Olhares é a falta do espírito crítico dos comentaristas, espírito esse que podia fazer com que os fotografos se esforçassem por cada vez melhorar mais o seu trabalho tanto na captação da imagem como no seu processamento posterior.

Felicito-te por este trabalho de levar os teus conhecimentos a outras pessoas interessadas.
Nao conheço o Corel Draw mas no Photoshop há um comando (está no Bridge e no PS) chamado Place que para alem de servir para fazer o que descreves cria o segundo layer como um Smart Layer. Os Smart Layers podem sempre ser alterados (exposição, contraste, temperatura de cor, etc etc) o que torna este comando especialmente util para quem fotografa em RAW e usa o Adobe Camera Raw.
Se depois de teres os 2 ou mais layers com diferentes exposições (tambem uso esta técnica para pequenas variações na temperatura de cor) pretenderes ainda alterar o Smart Layer, o ACR abre outra vez para que se possa ajustar a imagem nesse layer como se pretende.

Parabens tambem pelas belas paisagens muito bem fotografadas e tratadas.

Um abraço
Luis

Bruno disse...

Olá Miguel,

Obrigado pela paciência e tempo dispensado na divulgação destas técnicas de pós-produção e, sobretudo, na forma como podem ser utilizadas criativamente.
Infelizmente, existe muito pouco material com o valor e detalhe que disponibilizas online.
Desejo-te um óptimo 2008 e espero que não desistas de continuar este blog.

Cumprimentos,
B.

Pintarolas disse...

Olá miguel, estive a ver a tua galeria e adorei, ja vi k es um expert na matéria. Eu comecei agora, comprei uma máquina boazita e la vou eu armada em fotografa, mas foi mt mais dificil do k pensava, 1º: metade das coisas k a máquina faz ñ percebo, lol solução: comprei 2 livros um sobre foto digital, o outreo sobre o ligtroom, digamos k fiquei quase na msm. 2º: intalei o ligtroom e o Cs3. Tb ñ sei aplicar quase nada daquilo. Solução: mais livros, mas, metade dos termos ñ percebo, isto está bonito está. lol Pra tudo isto ja arrangei solução: tirar um curso de fotografia.
Mas pra ajudar, na 6ªfeira pla 1ª vez fui tirar fotos durante o dia(pk até aqui devido ao escesso de trab, apenas fotografei no final do dia ou dentro de casa), estava um dia lindo fui pra santa cruz e Ericeira metade ads fotos sairam todas brancas, tipo excesso de luz ou como dizem queimadas. Será k a minha maquina linda e mt cara está avariada ou simplesmente desconfigurada??? Pk algumas das fotos sairam magnificas outras completamente brancas. Se me pudesses ajudar ficaria mt grata. Obrigado

ps: conheci-te através do olhares

Swimmer disse...

Bom tutorial...;)

Mais posts do género são bem vindos